Para onde caminha a história, segundo a Bíblia? Para uma volta ao jardim, para uma eternidade longe da terra ou para outra coisa? No episódio 32 do Cenáculo do Saber - Entrevista, com David Marrone, o Pr. Jonas J. Mendes descreveu a nova criação de Apocalipse 21 e 22 como o ponto final do reino de Deus e resumiu a sua leitura assim: "A nova criação é o Éden glorificado. Nós não vamos retornar para o estado edênico. Nós vamos ser levados para um estado muito superior àquele que Adão vivia antes."
O que acontece no novo céu e na nova terra?
Segundo o pastor, o rei vai descer, e a Jerusalém celestial desce com ele: a cidade que Abraão almejou, para o território que Deus prometeu a Abraão. Os céus e a terra se unem, por assim dizer, e a criação é plenamente renovada.
Os crentes habitarão essa nova criação sem nenhum resquício do pecado. Andarão com Deus e viverão com ele. A descrição bíblica fala de reis, nações e povos trazendo a sua glória ao Senhor, e é nessa cena que o Pr. Jonas enxerga a plenitude do reino se estendendo sobre toda a criação. O destino do crente, portanto, não é escapar da criação, mas habitar uma criação renovada, com Deus no meio dela.
A nova criação terá culturas, agricultura e economia?
Para o pastor, a realidade descrita no Apocalipse é muito concreta. Ali haverá agricultura, cultivo, economia pujante, tribos, línguas e culturas diferentes, com pessoas plantando e colhendo dentro do reino. A nova criação não significa uma única cultura.
A razão está no próprio propósito do reino. Nas palavras do Pr. Jonas: "O propósito do reino multinacional de Deus, multiétnico, nunca foi anular as etnias e as culturas, mas redimi-las dentro do seu reino." A diversidade dos povos não é apagada no fim; ela chega plenamente redimida.
Craig Blaising chama esse quadro de New Creation Model, um modelo da nova criação em que o Apocalipse apresenta elementos muito claros, como agricultura e plantação. O próprio Pr. Jonas expõe esse modelo, com suas bases teológicas, no artigo O Novo Modelo de Criação. Na entrevista, ele preferiu um convite à imaginação: "Imagina o paladar humano em uma nova criação em que não há pecado mais. Como vai ser o gosto dessas frutas?"
Por que a nova criação é o Éden glorificado?
A chave está em olhar para o Éden antes da queda. A fome, lembra o pastor, não entrou como consequência do pecado: antes da queda já se alimentavam no Éden. Antes do pecado havia animais no Éden, e havia trabalho no Éden. Existiam, portanto, um propósito e uma função desde o começo da criação.
Se comer, cultivar e trabalhar já faziam parte do bom plano de Deus no princípio, não há motivo para imaginar que desapareçam no fim. O que desaparece é o pecado. Por isso o Pr. Jonas não fala de um retorno ao estado de Adão, e sim de algo muito mais elevado: o Éden glorificado.
O pastor vê ainda uma moldura que atravessa a Bíblia inteira. Gênesis 1 traz o princípio, os céus e a terra; Apocalipse 21 e 22 traz os novos céus e a nova terra. Há uma conexão entre os dois extremos, uma moldura do reino, e tudo o que acontece dentro dela é o quadro se desenrolando. A definição do reino em três elementos, que o pastor apresenta no mesmo episódio, ajuda a ler esse quadro: O que é o Reino de Deus? Rei, lugar e povo.
O que se perdeu e o que será herdado
O Pr. Jonas fecha o raciocínio comparando as duas pontas da história: "Nós olhamos pra trás, lembrando o que a gente perdeu, mas olhando pra frente, vendo o que a gente vai herdar, sabendo que aquilo que nós perdemos é muito menor do que aquilo que nós vamos herdar."
Quem lê Gênesis 3 sabendo como termina Apocalipse 22 não lê a queda como a última palavra sobre a criação. O jardim perdido aponta para uma herança maior, e é para ela que o reino de Deus está caminhando.





