Randall Price e o Terceiro Templo
Uma conversa esclarecedora
Jonas J. Mendes
8/28/20264 min ler


Professor de Teologia do Novo Testamento e coordenador de pós-graduação nas Faculdades Integradas Cantares de Salomão (FEICS)
Mestre em Teologia, com especialização em Novo Testamento.
Mestre e doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Pastor auxiliar no templo sede da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Cuiabá e região (IEAD-CUIABÁ)
Membro do Conselho de Educação e Cultura (CEC) da IEAD-CUIABÁ
Autor dos livros "A Arte da Leitura Bíblica", "A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental" e "Hermenêutica: Uma Introdução à Interpretação Bíblica"
Autor de diversos artigos na revista Obreiro Aprovado (CPAD)


Jonas J. Mendes
Fiz uma pergunta ao Dr. Randall Price sobre sua compreensão a respeito do templo de Ezequiel e, mais especificamente, se, em sua concepção escatológica, haverá um terceiro templo literal em Jerusalém antes ou durante o período da Tribulação. Em resposta, Price afirmou que a expectativa de um templo futuro está presente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento e também pode ser encontrada em diversos autores cristãos dos primeiros séculos. Segundo ele, textos como Ageu 2; Isaías 2; Miqueias 4; Jeremias 33; Daniel 9 e Ezequiel 40–48, bem como Mateus 24.15; Lucas 13.14; 2Tessalonicenses 2.4–5 e Apocalipse 11.1–2, apontam para um acontecimento escatológico futuro relacionado ao templo. Price acrescenta que essa expectativa também aparece nos escritos de autores como Irineu, Hipólito, Tertuliano, Júlio Africano, Cirilo de Jerusalém e Jerônimo, que associaram as profecias de Daniel ao futuro aparecimento do Anticristo e à profanação de um templo em Jerusalém. Para Price, portanto, embora o dispensacionalismo tenha sido sistematizado por John Nelson Darby no século XIX, a expectativa de um Anticristo futuro e de um templo literal associado à consumação escatológica possui antecedentes muito mais antigos na tradição cristã.
Caro Professor Mendes,
É claro que isso está nas Escrituras — tanto no Antigo Testamento (Ag 2; Is 2; Mq 4; Jr 33; Dn 9; Ez 40–48) quanto no Novo Testamento (Mt 24.15; Lc 13.14; 2Ts 2.4–5; Ap 11.1–2) —, mas isso também foi claramente apresentado como um acontecimento profético pelos primeiros Pais da Igreja. Abaixo está um exemplo de suas afirmações, nas quais eles compreendem a interpretação futura de Daniel 9.27 (assim como Jesus em Mateus 24.15) e um Anticristo literal que invadiria e profanaria um Templo literal futuro.
Aqui estão citações diretas:
Irineu (c. 180 d.C.)
“Mas, quando este Anticristo tiver devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por três anos e seis meses e se assentará no templo em Jerusalém; então o Senhor virá do céu sobre as nuvens [...], enviando este homem e aqueles que o seguem para o lago de fogo.”
Contra as Heresias 5.25.4
Hipólito de Roma (c. 200–230 d.C.)
“Pois, quando as setenta semanas forem cumpridas e o mundo chegar à sua consumação, então aparecerá o reinado do Anticristo, o assolador, que fará guerra contra os santos.”
Sobre Cristo e o Anticristo, 27
Hipólito afirma claramente que o cumprimento das setenta semanas coincide com o aparecimento do Anticristo, que, para ele, ainda era um acontecimento futuro.
Tertuliano (c. 200 d.C.)
“Os tempos da destruição vindoura da cidade foram anunciados. Pois Daniel diz: ‘E a cidade santa será pisada até que se completem setenta semanas’. Este é o período em que o Anticristo reinará, devastará a terra por três anos e seis meses e se assentará no templo em Jerusalém.”
Uma Resposta aos Judeus, 8
Tertuliano relaciona a profecia de Daniel ao futuro Anticristo, e não a um cumprimento exclusivamente passado.
Júlio Africano (c. 200–240 d.C.)
“Com relação às setenta semanas mencionadas em Daniel, é necessário entender que sessenta e nove dessas semanas foram cumpridas até a vinda de Cristo; depois disso, a última semana será cumprida no fim, quando o Anticristo aparecer, devastar a cidade santa e, então, o juízo vier sobre ele.”
Chronographiai, Fragmento 18.2
(preservado por Eusébio, Preparação para o Evangelho 10.10)
Cirilo de Jerusalém (c. 350 d.C.)
“Este Anticristo virá quando os tempos do Império Romano estiverem cumpridos e a consumação do mundo estiver se aproximando. Dez reis dos romanos surgirão juntos, e um pequeno décimo primeiro surgirá depois deles, que será o Anticristo [...]. Ele prevalecerá somente por três anos e meio.”
Catequeses, 15.15
Cirilo interpreta a profecia de Daniel sobre o “pequeno chifre” (Daniel 7 e 9) como ainda futura, culminando no breve reinado do Anticristo.
Jerônimo (c. 400 d.C.)
“Alguns dos nossos escritores eclesiásticos referem esta passagem ao Anticristo e sustentam que a última semana será cumprida no fim do mundo. Pois ele confirmará uma aliança com muitos por uma semana e, no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta.”
Comentário sobre Daniel, 9.27
Todos eles compreendem a interpretação futurista de um futuro Terceiro Templo, seguindo o Antigo e o Novo Testamento, especialmente a profecia de Daniel sobre as setenta semanas, com o templo aparecendo durante a futura Tribulação. Espero que isso seja útil. Lembre-se: o dispensacionalismo como sistema foi explicado por Darby no século XIX, mas, como ensino, ele já existia desde os primeiros tempos.

