Quando a pandemia fechou as igrejas, a agenda da cantora Sofia Cardoso fechou junto: todos os convites foram cancelados. Foi nesse vazio que nasceram as lives que ela passou a fazer com a nora, a cantora Karen Lima, e que acabaram dando forma ao ministério que as duas têm hoje. A história foi contada no EP. 36 do Cenáculo do Saber - Entrevista, "56 anos de ministério", em que o Pr. Jonas J. Mendes recebe as duas cantoras.
Como começaram as lives da Sofia Cardoso e da Karen Lima?
O Pr. Jonas quis saber quando surgiu a ideia de as duas cantarem e viajarem juntas. A resposta da Sofia foi direta: nenhuma das duas tinha essa ideia. Para ela, foi tudo projeto de Deus, e tudo começou na pandemia, quando as igrejas foram proibidas de abrir e os convites acabaram.
Quem propôs foi a Karen: "Sofia, vamos começar a fazer live". A primeira reação da sogra foi de espanto. Ao vivo, com o povo entrando? O começo foi pequeno, um videozinho curtinho. A Karen pedia, brincando, que ela cantasse "um pedacinho do Céu", e a Sofia gravava. A Sofia conta que a nora foi deixando ela bem à vontade, até ela perceber o que estava acontecendo. Aí pôs uma condição: só faria se a Karen fizesse junto, porque assim as duas iam conversando e o ambiente ficava mais leve.
Uma live para quem não ia à igreja
A proposta, explica a Sofia, não era levar para a tela o culto tradicional da igreja. Era fazer algo popular, que alcançasse amigos não evangélicos, desviados, tribulados e endemoniados. Era esse o público que as duas queriam alcançar ao vivo.
E ele apareceu. Na live, chegou a entrar gente dizendo "eu vou me matar hoje". A Sofia respondia ali mesmo, ao vivo: "satanás, larga dessa vida agora". O desfecho só veio depois. Passada a pandemia, ela ouviu de uma pessoa que estava do outro lado da tela: "eu era aquela pessoa que ia se matar".
Quem ministra também é alimentado?
A Karen acrescenta um lado que costuma ficar de fora quando se fala de ministério: "nós éramos alimentadas também". Enquanto cantavam, as duas oravam, e oravam muito. Era guerra, diz ela. Quando a live terminava, parecia que pouco tempo tinha passado, e elas já estavam ali havia mais de uma hora.
O ritmo cobrava o seu preço. Os irmãos pediam live todo dia, mas, segundo a Sofia, era muito carregado. Havia ainda as limitações da época: a Karen morava mais longe, havia limite de pessoas reunidas, e as duas gravavam um pouco distantes uma da outra.
O isolamento e o calor humano
No início, a Karen acha que ficou uns três meses sem ir à casa dos sogros, que eram do grupo de risco. O marido, Israel, filho da Sofia, pedia que ela esperasse. Quando o Pr. Jonas observa que o isolamento também é prejudicial, ela concorda: "eu acho que nós fomos feitos pra ficar mesmo em grupo". E completa que a gente precisa desse calor humano.
É curioso que a parceria das duas tenha nascido justamente nesse tempo de distância. O que separava as pessoas nas casas foi o que juntou a sogra e a nora diante da câmera. A conversa continua, da primeira viagem a Manaus às histórias por trás dos hinos, nos capítulos da página do episódio.
Para a Sofia Cardoso, o que começou com um videozinho curtinho, numa época de igrejas fechadas, foi projeto de Deus: uma live pensada para desviados e tribulados que alcançou até quem pensava em tirar a própria vida. Quando o templo fechou, o serviço não parou. Mudou de lugar.





