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Ministério PastoralEP. 35

É possível ter o cargo e não ser homem de Deus?

O Pr. Valmir Nascimento separa o título ministerial do chamado

David Marrone28 de outubro de 2026 4 min de leitura
É possível ter o cargo e não ser homem de Deus?
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Reflexão a partir da fala de Pr. Valmir Nascimento no Cenáculo do Saber - Entrevista EP. 35, com David Marrone.

É possível ter o cargo e não ser homem de Deus? David Marrone levou a pergunta ao Pr. Valmir Nascimento no EP. 35 do Cenáculo do Saber - Entrevista, ao falar do livro Homens de Deus (CPAD). Há muitos pastores, mas nem todos são homens de Deus; David resumiu a ideia como ter o cargo e não ter a graça. Como alguém chega a esse ponto?

Por que falar disso é tão delicado?

O Pr. Valmir conta que escreveu o livro num tom reflexivo e exortativo. Falar de ministério, para ele, é um tema sensível, mas necessário, urgente agora e em toda a história da igreja. Algumas verdades são constrangedoras e mesmo assim precisam ser ditas, porque as Escrituras revelam a postura e a responsabilidade que se exigem de quem foi vocacionado para a obra.

Ele mesmo se coloca dentro da conversa. Algumas expressões do livro, diz, servem para a reflexão dele próprio antes de servir à do leitor. O alvo principal é quem já está na obra: o texto foi pensado como uma autoavaliação, para que o obreiro olhe para si e veja como tem entendido o ministério na própria vida.

Qual a diferença entre o cargo e o chamado?

A distinção é esta: existem pessoas que possuem cargos ministeriais, têm o título e a função, e não estão na condição de homens de Deus. Para o Pr. Valmir, ser chamado por Deus para fazer a sua obra não é, antes de tudo, um título nem um cargo. É uma posição espiritual da pessoa em Deus, para cumprir o propósito para o qual foi chamada.

Na crise de identidade ele volta ao ponto por outro ângulo: "Pastor não é gestor eclesiástico." O chamado não é simplesmente fazer alguma coisa nem ocupar um cargo gerencial, e o pregador não é só um professor que repassa conteúdo. Quem estabelece os obreiros é o próprio Deus, que deu uns para apóstolos, outros para profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4.11). Desejar o episcopado não é errado, lembra ele com Paulo (1 Timóteo 3.1). A pergunta é por que se deseja.

O que o cargo oferece?

Ao lado da realidade bíblica, o Pr. Valmir reconhece uma realidade social. Ser reconhecido como obreiro ou pastor traz orgulho, satisfação e posição social; mais do que isso, traz poder e autoridade diante da comunidade e da sociedade. Por isso, observa ele, vivemos uma época em que muitos querem ocupar uma posição pelo que ela oferece em benefício, exposição e reconhecimento, sem estar na condição espiritual de exercer o chamado. Essa busca não pode passar por cima da essência do chamado de um homem de Deus.

Mais adiante na conversa, ao tratar do obreiro que perde a vocação de vista, ele dá nome a alguns desvios: "O problema não é somente com o pastor que se transformou em cabo eleitoral. É o pastor também que se transformou em comerciante." E há o profeta que deveria ser profeta, mas vende a sua mensagem. A ressalva também é dele: o cristão tem um papel social e político relevante. O problema é pôr qualquer outra coisa acima do reino de Deus e do cuidado com a igreja.

Quem está nessa condição?

O Pr. Valmir não aponta nomes. A pessoa pode ter título, função, reconhecimento social e até eclesiástico, e mesmo assim não ser homem de Deus. Quem está nessa condição? Ele devolve a pergunta: cada um precisa fazer uma autoavaliação à luz das Sagradas Escrituras para perceber como se encontra.

Por isso, antes de ser pastor, evangelista ou presbítero, o obreiro deve perguntar a si mesmo três coisas. Estou agindo como um homem de Deus? Estou pregando como um homem de Deus? Estou vivendo a minha vida espiritual como um homem de Deus?

O peso dessas perguntas vem do próprio título do livro. Homem de Deus é o nome dado a Moisés, Elias e Eliseu, e que Paulo aplica a Timóteo (1 Timóteo 6.11). O Pr. Valmir o escolheu, explica, "porque para mim é o termo que evoca a responsabilidade e o peso da chamada". Quem o carrega age em nome de outro: "Nós trazemos sobre nós o nome daquele que nos chamou". As crises que provam esse nome estão em As 5 crises do ministério cristão.

Antes do título

Título e função podem trazer reconhecimento, poder e autoridade. Para o Pr. Valmir Nascimento, o chamado de Deus vem antes deles, como posição espiritual, e é diante das Escrituras que cada obreiro precisa se avaliar. As três perguntas não servem para medir o pastor ao lado. Servem para quem as faz a si mesmo, de preferência antes de subir ao púlpito no próximo domingo.

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David Marrone

Sobre o autor

David Marrone

Apresentador do Cenáculo do Saber - Entrevista

  • Apresentador e entrevistador do Cenáculo do Saber - Entrevista
  • Escreve as reflexões do Cenáculo do Saber a partir das conversas do programa
  • Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus
  • Acadêmico do sexto ano de Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
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