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Dispensacionalismo ProgressivoEP. 34

Deus faz mais do que promete, mas nunca menos

O Pr. Jonas Mendes fala das promessas feitas a Israel, dos atos de fala e do "até que" de Jesus

David Marrone04 de novembro de 2026 4 min de leitura
Deus faz mais do que promete, mas nunca menos
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Reflexão a partir da fala de Pr. Jonas J. Mendes no Cenáculo do Saber - Entrevista EP. 34, com David Marrone.

As promessas que Deus fez a Israel no Antigo Testamento ainda são de Israel, ou passaram para outro povo quando a Igreja surgiu? No EP. 34 do Cenáculo do Saber - Entrevista, com David Marrone, o Pr. Jonas J. Mendes respondeu com uma pergunta, uma ideia da filosofia da linguagem e uma frase que resume a sua posição: "Deus faz mais do que promete, mas nunca menos."

As promessas feitas a Israel se cumprem em outro povo?

O pastor parte de uma observação de Craig Blaising. Os supersessionistas e os que leem a Bíblia com continuidade absoluta costumam ler as promessas feitas a Israel no Antigo Testamento e, ao chegar ao Novo, dizer que elas se cumprem com outro povo. Seria uma mudança na narrativa.

A pergunta do Pr. Jonas vai direto ao ponto: "Será que Deus não sabia falar que era pra outro povo?" E ele mesmo responde: "Quando Deus quis falar pra outro povo, Deus falou. Deus falou pros gentios." E falou diversas vezes. Por isso, diz ele, é complicado afirmar que a promessa se cumpre com outro povo.

O que são atos de fala e o que isso tem a ver com as promessas?

Aqui o pastor recorre aos atos de fala, uma contribuição da filosofia da linguagem desenvolvida por John Austin, autor de How to Do Things with Words, e por John Searle. Costumamos opor falar e fazer. "Os autores estão mostrando que nem sempre essa dicotomia existe. Que há situações em que falar é fazer." O juiz que diz "você está condenado" faz algo com a fala, e aquilo muda a condição de quem ouve. O mesmo acontece quando o pastor declara um casal marido e mulher.

A promessa é um desses atos. "Quando a gente faz uma promessa, gera um compromisso, uma obrigação." Quando Deus promete, ele se coloca na condição de cumprir, a menos que a promessa seja condicional. E Deus fez na Bíblia promessas incondicionais, pelas quais ficou, por assim dizer, obrigado a cumprir, porque quis. O pastor lembra Jeremias 31 a 33, em que Deus diz a Israel que, ainda que a sua aliança com o sol e com a lua se desfizesse, com Israel não se desfaria. Em Jeremias 31.36: "Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre."

Daí a definição que ele dá de interpretação bíblica: compreender o que Deus está falando, como está falando e a quem está falando.

Se as promessas são de Israel, por que o Novo Testamento as aplica à Igreja?

Marcos 1.15 traz o sentimento de cumprimento ("O tempo está cumprido"), e o Novo Testamento aplica à Igreja, formada por judeus e gentios, muitas promessas feitas a Israel. A Igreja assumiu, então, o lugar de Israel? Não, responde o pastor. Cristo é o centro unificador das alianças da promessa e inaugura o cumprimento de algumas das suas características. Por isso ele inaugura a nova aliança, e a Igreja, em Cristo, passa a participar de algumas das suas bênçãos. A plenitude só virá quando os destinatários originais forem alcançados por ela, junto com o povo que foi convidado a participar em Cristo.

"O que você tem é uma ampliação do escopo da bênção. E não a restrição. Deus faz mais do que promete, mas nunca menos." Em Cristo, uma série de elementos já está em andamento, de forma parcial e inaugural, ainda sem a sua plenitude: o já e o ainda não. O mesmo princípio aparece, aplicado à aliança com Davi, em Cristo, o centro unificador das alianças.

O que significa o "até que" de Jesus sobre Jerusalém?

Para mostrar que o futuro de Israel continua aberto, o Pr. Jonas lê duas frases de Jesus. Em Lucas 13.34-35, Jesus diz a Jerusalém que a casa dela ficará deserta e que não o veriam até que dissessem: bendito o que vem em nome do Senhor. Em Lucas 21.24, Jerusalém será pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se completem. Para o pastor, esse "até que" marca um juízo limitado, com prazo: "Se fosse permanente e definitivo, até que não faria sentido nenhum."

Romanos 11.25-26 segue a mesma linha. O endurecimento veio em parte e não é permanente; quando a plenitude dos gentios se der, o Libertador virá de Sião e todo o Israel será salvo. O Pr. Jonas fala de um tempo em que Deus vai lidar com Israel como nação e haverá uma conversão em massa.

Uma promessa ampliada continua sendo a mesma promessa. Quem lê as alianças do Antigo Testamento assim não precisa escolher entre a bênção dos gentios e a fidelidade de Deus a Israel.

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David Marrone

Sobre o autor

David Marrone

Apresentador do Cenáculo do Saber - Entrevista

  • Apresentador e entrevistador do Cenáculo do Saber - Entrevista
  • Escreve as reflexões do Cenáculo do Saber a partir das conversas do programa
  • Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus
  • Acadêmico do sexto ano de Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
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