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A invasão vertical dos bárbaros: quando o inimigo está dentro

Mário Ferreira dos Santos, a queda de Roma e a crise do Ocidente cristão

David Marrone01 de novembro de 2026 3 min de leitura
A invasão vertical dos bárbaros: quando o inimigo está dentro
Leitura

Inspirado no livro A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental, do Pr. Jonas J. Mendes.

Em 410 d.C., Roma foi invadida pelos bárbaros. A cena virou símbolo do fim de uma civilização. Mas e se os bárbaros de hoje não estiverem do lado de fora? A pergunta é do filósofo Mário Ferreira dos Santos, e no livro A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental o Pr. Jonas J. Mendes a usa para descrever a crise do Ocidente. Os romanos exclamavam: "bárbaros extramuros!". Mário Ferreira dos Santos responde: "bárbaros intramuros!".

Qual a diferença entre invasão horizontal e invasão vertical?

Mário Ferreira dos Santos distingue duas invasões. O Pr. Jonas explica que a horizontal, extramuros, pode ser vista na invasão de Roma pelos bárbaros em 410 d.C.: um processo lento de ocupação do território, geralmente por estrangeiros. Ela ocupa terras, cidades e fronteiras.

A invasão vertical, intramuros, acontece no âmbito da cultura. É a tomada de posse e a corrupção de um povo por dentro, que solapa os fundamentos e as raízes até a destruição completa. Não há exército no horizonte nem muralha derrubada. Por isso ela é mais difícil de perceber. Mário Ferreira dos Santos afirma que o Ocidente vive esse momento terrível.

O que a barbárie vertical ataca primeiro?

Segundo o Pr. Jonas, o barbarismo vertical supervaloriza o visual, o sensível, o temporal, o mundano e a superficialidade, em detrimento do metafísico, do eterno e do sagrado. O que dura perde para o que passa.

Ele chama outros autores para mostrar que o diagnóstico não é isolado. Gilles Lipovetsky, em O Império do Efêmero, descreve um Ocidente tomado por uma cultura do efêmero, do frívolo e do passageiro. Christopher Dawson fala de uma desintegração que parte de dentro da própria civilização.

Qual é a espinha dorsal da cultura ocidental cristã?

Para entender o que está sendo destruído, Mário Ferreira dos Santos descreve antes a espinha dorsal da cultura ocidental cristã, a cosmovisão que a sustentou. O Pr. Jonas traz essas categorias no capítulo sobre os pilares da cultura ocidental:

  • o universo é criatura, inclusive o homem;
  • os povos se irmanam pela mesma fé, e todos são iguais perante Deus;
  • a divindade é providencial;
  • o homem é inteligente e livre, pecou livremente e pode salvar-se graças a um mediador, Cristo;
  • a paz reinará quando a boa vontade dominar entre os homens.

Criação, providência e salvação: é essa espinha dorsal que a invasão vertical corrói. O Pr. Jonas trata da relação entre fé e cultura também em cultura e culto: por que as duas palavras têm a mesma raiz.

O que os cristãos devem fazer diante da crise da cultura?

Na Palavra Final do livro, o Pr. Jonas ainda vê tempo de ouvir o alerta de que os bárbaros estão às portas. Os muros estão ruindo e as defesas, minadas. Mas o tom não é de derrota.

Ele escreve: "Enquanto cristãos, não podemos nos calar, devemos entrar na arena cultural e combater, lutar pelos valores que acreditamos, não podemos entregar a cultura aos 'bárbaros'." E indica o caminho para isso: conhecer as Escrituras e conhecer o próprio tempo, as correntes filosóficas e sociológicas que moldam a cultura. Só assim é possível dar respostas satisfatórias.

De fora e de dentro

Os bárbaros de Roma vieram de fora. Os do Ocidente de hoje entram pela cultura, pelo que se consome, se aplaude e se ensina. A leitura que o Pr. Jonas J. Mendes faz de Mário Ferreira dos Santos tira o cristão da posição de espectador. A Bíblia lembra os filhos de Issacar, conhecedores da época, que sabiam o que Israel devia fazer (1 Crônicas 12.32). Defender os muros começa por saber o que eles guardam.

A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental

Do livro do Pr. Jonas J. Mendes

A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental

De Nietzsche à era pós-cristã: o que acontece com uma cultura quando ela esquece Deus e as próprias raízes. Somente em Kindle.

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David Marrone

Sobre o autor

David Marrone

Apresentador do Cenáculo do Saber - Entrevista

  • Apresentador e entrevistador do Cenáculo do Saber - Entrevista
  • Escreve as reflexões do Cenáculo do Saber a partir das conversas do programa
  • Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus
  • Acadêmico do sexto ano de Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
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